Seleção das estações fluviométricas utilizadas no projeto
A seleção da rede fluviométrica de interesse resultou de um balanço entre a necessidade e a disponibilidade de informações, tendo, como balizamento, o objetivo do trabalho e o elenco de séries históricas obtidas nas etapas de coleta preliminar e de coleta complementar de dados. Assim, foi definida uma lista de 64 estações fluviométricas de interesse, conforme apresentada na Tabela 8.9.
Os critérios seguidos para a definição dessa rede foram:
Priorização dos postos situados junto aos eixos dos aproveitamentos em estudo, independentemente da extensão de suas séries ou do fato de serem postos ativos ou extintos;
Consideração dos postos atualmente mantidos pelos agentes para fins de monitoramento e operação das usinas já implantadas (postos da Resolução 396/98 da ANEEL);
Aproveitamento de outros postos localizados nas imediações, desde que úteis para verificar, preencher falhas e estender as séries diárias dos postos básicos acima citados e
Seleção de vários postos complementares, em geral, situados em locais afastados dos aproveitamentos de interesse ou mesmo em tributários do Araguaia ou Tocantins, com o propósito de subsidiar a calibração de um modelo de simulação chuva-vazão a passo mensal, espacialmente discretizado ao nível de sub-bacias.
No quadro de disponibilidade de dados originais referentes às 64 estações fluviométricas consideradas no estudo, apresentado em Anexo 5, procurou-se caracterizar a situação de disponibilidade das séries de leituras de réguas convencionais, das séries de medições de descargas líquidas, das curvas-chave definidas para os postos e das correspondentes séries de vazões médias diárias já processadas.
Cabe observar que:
Um bom número dos postos elencados, notadamente os operados pelos agentes (Resolução 396/98), é de instalação recente, não dispondo de elementos suficientes para a derivação de séries de vazões úteis ao projeto (p. ex., Fazenda Demétrio e Toró, da TRACTEBEL, ou Angical-Jusante, Fazenda Jurupari e Mangues, da INVESTCO);
Em vários postos, notadamente nos da sub-bacia do Araguaia, os períodos de abrangência das séries de medições de descargas são bem menores do que os períodos das séries de cotas disponibilizadas e
Em outros tantos, as séries de vazões foram processadas para épocas não cobertas pelo período de validade das curvas-chave ou, mais estranhamente, para períodos em que não estão disponíveis os necessários dados de leitura das réguas (p. ex., Tupiratins, na totalidade; e Peixe, Miracema, Luís Alves e outros, em trechos isolados).
Estabelecimento das curvas-chave
Todas as curvas-chave com dados disponíveis foram reavaliadas. Não foram criadas as curvas-chave de 14 postos citados na Tabela 8.9 por motivos diversos, como ausência de medições de descarga, posto em reservatório e posto auxiliar cujos dados não foram analisados.
Considerando as incertezas presentes, notadamente no que tange à definição das equações de extrapolação da faixa com medições, o processo de consolidação das curvas-chave foi subdividido em dois estágios:
Em um primeiro, enfocaram-se apenas os dados de cada estação, buscando-se identificar e corrigir ou descartar as medições de descarga incoerentes e buscando-se definir as "melhores" equações para a curva-chave alternativa, razão pela qual foi extensivamente utilizado um método otimizante de ajuste de parâmetros. Na definição dos períodos e limites de validade de cada equação, foram consideradas, sempre que disponíveis, as informações contidas nos históricos das estações e/ou adquiridas na visita de inspeção. Ao final, no cotejo entre a curva-chave existente e a curva-chave alternativa, a preferência recaiu sempre sobre a primeira, desde que essa fosse definida analiticamente por um número razoável de equações e conquanto não se mostrasse muito discrepante com a curva-chave alternativa.
Definido o conjunto de curvas-chave pré-selecionadas, essas foram refinadas em um segundo estágio, tendo, por diretriz, uma análise comparativa realizada com as séries processadas de vazões médias diárias. No caso, em se identificando uma incoerência sistemática entre a série de uma dada estação e as séries de estações vizinhas, procedeu-se a novas reavaliações da curva-chave enfocada até a obtenção de um nível aceitável de compatibilidade geral. Nesse estágio, convém salientar, a reavaliação dos parâmetros das equações das curvas-chave foi encaminhada pelo método da tentativa e erro, o que acabou introduzindo alguma perda de ajuste matemático entre as curvas e os dados locais de partida (ou seja, os pares de pontos cota-vazão observados).
Séries fluviométricas consistidas nas estações fluviométricas selecionadas
A obtenção da série consistida comportou três tipos de intervenções: o preenchimento de dados faltantes, a correção de dados incoerentes e, quando inevitável, o seu simples descarte.
A partir da análise das vazões específicas médias obtidas para o período de janeiro de 1962 a dezembro de 2001, verifica-se que algumas sub-bacias merecem uma atenção especial, principalmente de melhorias futuras das séries fluviométricas, conforme explicitado a seguir:
A sub-bacia representada pelos postos Porto Uruaçu, Rio Bagagem e Tocantinzinho merece uma reavaliação em vista da vazão específica muito baixa ( 9,2 l/s/km2) para os padrões da região;
A sub-bacia representada pelos postos Paraná e São Salvador, com fechamento em Fazenda Angical, apresenta uma vazão específica média quase nula (0,9 l/s/km2), o que denota possibilidade de melhoras nas curvas-chave dos postos, visto ser esse valor incompatível com a região e
A sub-bacia representada pelos postos Carolina e Tocantinópolis apresenta uma vazão específica muito alta (24,2 l/s/km2), quando comparada com as demais sub-bacias da região, sendo recomendada uma melhor avaliação da hidrologia desse trecho.
