Ao completar 19 anos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS se orgulha de sua história e prepara-se para enfrentar novos desafios decorrentes das mudanças que estão transformando a indústria da eletricidade em escala global.
Criado em 26 de agosto de 1998, no âmbito do projeto de reestruturação do setor elétrico conduzido pelo Ministério de Minas e Energia, o ONS assumiu as funções que eram desempenhadas pelos organismos colegiados que o precederam e teve suas atribuições definidas em lei: planejamento e programação da operação, despacho centralizado da geração e transmissão de energia no sistema interligado, supervisão e controle da operação em tempo real, além das atribuições relacionadas à administração dos serviços de transmissão, segmento profundamente modificado na reforma do setor.
A história da organização mostra que foram enfrentados diversos desafios técnicos de grande porte, como o racionamento de energia de 2001, os desligamentos que afetaram milhões de consumidores, a autossuficiência de seus Centros de Operação para o controle e supervisão da operação do SIN, e o crescimento físico do sistema com as interligações dos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Amapá.
Esses desafios foram superados com o conhecimento e o comprometimento de seu corpo técnico e com a capacidade de trabalhar de forma integrada com os agentes associados e com as demais instituições responsáveis pela gestão do setor elétrico brasileiro.
O ONS consolidou-se e tornou-se reconhecido tecnicamente no país e no exterior. Ampliou o seu relacionamento com as associações setoriais e os agentes associados, que alcançaram a marca de 348 empresas em 2017. Estabeleceu laços com outros Operadores de grandes sistemas elétricos no mundo, com os quais desenvolve projetos conjuntos e troca experiências. Conquistou o reconhecimento da sociedade, por disponibilizar informações confiáveis e atualizadas sobre as condições de suprimento de energia.
Os próximos capítulos dessa história serão escritos tendo por base os princípios da transparência, da integração e da inovação, pilares de sua atual gestão, que tomou posse em 2016.
O cenário dos próximos anos será marcado por mudanças disruptivas na indústria da eletricidade em escala global, com o crescimento das fontes renováveis não convencionais, como eólicas e solares, utilização de sistemas de armazenamento de energia, novo papel dos consumidores com produção local de energia e gerenciamento de seu consumo, ampliação do uso de veículos elétricos. No Brasil, existem desafios específicos de nosso sistema, como a perda da capacidade de regularização dos reservatórios, a operação conjunta de grandes links de transmissão em corrente contínua e corrente alternada para intercâmbios de energia entre regiões, o aumento da intermitência e das variações sazonais da oferta de energia, a gestão do uso múltiplo dos recursos hídricos, dentre muitos outros que contribuem para tornar a operação do sistema cada vez mais complexa.
Estamos nos preparando para esse futuro. Ainda em 2017, vamos construir o Plano Diretor de Desenvolvimento Tecnológico do ONS, com base nas conclusões do Seminário de Prospecção Tecnológica do Operador, realizado em maio e junho, do qual participaram diversos especialistas nacionais e estrangeiros nos diversos campos do conhecimento necessários para a execução de nossas atribuições.
Aprimoramos nosso relacionamento com a sociedade com o lançamento de um novo website público, com informações selecionadas e um sistema de divulgação dos dados históricos que oferece aos usuários mais liberdade para consultas e análises.
Estamos trabalhando de forma ainda mais integrada com as demais instituições que administram o setor elétrico, aprimorando o relacionamento com a EPE, a CCEE, a agência reguladora Aneel e o Ministério de Minas e Energia.
Com o apoio do Conselho de Administração, estamos promovendo a primeira grande reestruturação corporativa do ONS. O projeto envolve a alta direção e parte do corpo gerencial e tem o suporte de consultoria especializada. Foram ouvidos diversos stakeholders no setor e feito um benchmarking internacional. A reestruturação impactará a atual estrutura e resultará em um novo ordenamento de atividades e serviços.
Até aqui, foram 19 anos intensos, permeados por muito mais histórias e conquistas do que se poderia prever no início da jornada. Ao virar a página a abraçar o futuro, o ONS se dispõe a escrever seus próximos capítulos, com novos desafios, parcerias e vitórias.
Luiz Eduardo Barata Ferreira