Gestão das intervenções na rede de transmissão gerou uma economia de R$ 65 milhões para o consumidor brasileiro em 2021
Total foi estimado pelo ONS a partir da metodologia de cálculo do Valor Agregado e está detalhado neste quarto artigo da série
O Sistema Interligado Nacional (SIN) tem dimensões continentais. Só para citar alguns números: são mais de 175.000 km de linhas de transmissão, totalizados por mais de 1.400 linhas, e em torno de 5.000 equipamentos na Rede Básica – aquela que atende a toda a sociedade –, abrangendo transformadores, reatores, capacitores, compensadores síncronos e estáticos, filtros, barramentos, dentre outros. Para manter a excelência de toda a estrutura, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recebe por ano em torno de 40.000 solicitações de manutenção nestes equipamentos, já que essa complexa rede de transmissão, que reúne 220 agentes proprietários de equipamentos e de linhas de transmissão, exige intervenções periódicas para manter tudo sempre em perfeitas condições de operação. Pelas estimativas do ONS, o processo de gestão dessas intervenções, realizada por nossa equipe técnica, gerou uma economia de pelo menos R$65 milhões para a sociedade no ano de 2021.
O calendário de reparos das centenas de empresas que atuam no setor nem sempre são conectados. Muitas vezes, como os cronogramas de manutenção dos agentes podem coincidir entre si ou com períodos em que os ativos são essenciais para garantir a otimização da geração no SIN, a função do Operador é atuar como um maestro de uma orquestra, cuidando para que a melodia se mantenha afinada para o público, mesmo que um instrumento não esteja tocando momentaneamente. Para resolver essa complexa equação, envolvendo muitos atores e variáveis, o ONS conta com uma equipe habilitada para lidar diariamente com o tema e possibilitar que todos os pedidos de reparos solicitados sejam realizados, garantindo um alto desempenho dos equipamentos, mas sem causar restrições severas na malha de transmissão ou comprometendo a segurança do SIN.
Esse processo tem início com o cadastro da solicitação de intervenção no Sistema de Gestão de Intervenções (SGI) pelo agente. A partir daí, os técnicos do Operador realizam uma série de simulações e estudos de segurança elétrica, considerando as intervenções previstas para cada dia. Com os resultados dessa análise, sempre que necessário, são realizadas conversas com os agentes para remanejar as datas de realização de intervenções para períodos que não impactem na segurança da operação ou causem reflexos no escoamento da geração que possam levar à necessidade de uso da fonte térmica local ou subutilização dos recursos de geração renovável, com o consequente aumento do custo da operação.
Para chegar a ao valor de R$ 65 milhões, foi desenvolvida uma metodologia baseada na execução do DESSEM, que é o modelo oficial utilizado no setor elétrico para definir o despacho térmico e o preço da energia no curto prazo, e se baseia na seguinte estratégia:
- Executar o modelo DESSEM para as datas com as intervenções solicitadas pelos agentes duas vezes: com e sem a intervenção solicitada. Na sequência, calcular o aumento de custo da operação provocado pelas intervenções. Para este cenário é esperado que haja um aumento de custo, que pode ser expressivo.
- Executar o modelo DESSEM para as datas com as intervenções remanejadas pelo ONS duas vezes: com e sem a intervenção solicitada. Na sequência, calcular o aumento de custo da operação provocado pelas intervenções. Para este cenário, é esperado que haja um aumento de custo marginal ou mesmo que nem ocorra aumento de custo.
O benefício do processo foi medido pela diferença entre as estratégias (A) e (B) para 49 intervenções de maior impacto realizadas entre novembro/2020 e agosto/2021, ou seja, contemplando apenas cerca de 0,1% do total de intervenções solicitadas.
Este é mais um resultado apurado dentro da metodologia de Valor Agregado elaborada pelo ONS, que já somava uma redução de R$ 26,9 bilhões com os ganhos obtidos com a flexibilizações dos limites de transmissão e das restrições hidráulicas. Em próximos artigos, apresentaremos mais informações referentes às atividades do ONS, convertendo em valores os benefícios do trabalho efetuado pelo Operador para o setor elétrico brasileiro. Acompanhe!