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Visão geral do ONS

Dezembro de 2011

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Condições Meteorológicas

No mês de dezembro os maiores totais de precipitação foram observados entre o sul e oeste do Amazonas e o Rio de Janeiro, com uma orientação Noroeste-Sudeste – Figura 1.1. A atuação de um sistema de baixa pressão e o transporte de umidade da região amazônica, na primeira quinzena do mês, e a configuração de um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul – ZCAS, no fim do mês, favoreceram a ocorrência de elevados totais de precipitação nesta região. Destaca-se também que as frentes frias tiveram um deslocamento litorâneo pela região Sul durante este mês , o que contribuiu para a pouca ocorrência de chuva nessa região.



Figura 1.1: Precipitação observada (mm) no mês de dezembro de 2011.
Fonte: CPTEC/INPE

 

Esta distribuição espacial de precipitação resultou em anomalias negativas de precipitação na maior parte das bacias do SIN, exceto nas bacias dos rios São Francisco, Doce, Jequitinhonha, Manso, nas cabeceiras dos rios Paranaíba, Tocantins e em parte da bacia do rio Grande. Nestas regiões a precipitação variou entre a média e acima da média histórica – Figura 1.2.

Figura 1.2: Anomalia de precipitação observada no mês de dezembro de 2011.
Fonte: CPTEC/INPE

 

Nas regiões onde foram observadas anomalias positivas de precipitação as temperaturas máximas variaram entre a média e abaixo da média climatológica – Figura 1.3, devido, principalmente, à presença de nebulosidade. Nas demais áreas o predomínio de céu claro favoreceu a ocorrência de anomalias positivas de temperatura máxima. No que tange às temperaturas mínimas, a incursão de uma massa de ar frio, no início do mês, resultou na ocorrência de anomalias negativas de temperaturas mínimas na região Sul – Figura 1.4.

Figura 1.3: Anomalia de temperatura máxima observada no mês de dezembro de 2011.
Fonte: CPTEC/INPE

 

Figura 1.4: Anomalia de temperatura mínima observada no mês de dezembro de 2011.
Fonte: CPTEC/INPE

 

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Climatologia

No próximo trimestre – janeiro, fevereiro e março – é observada, climatologicamente, uma redução gradativa dos totais de precipitação nas bacias do subsistema SE/CO. Nas bacias dos demais subsistemas não são observadas variações significativas nos totais climatológicos de precipitação – Figura 2.1.



Figura 2.1: Climatologia de precipitação (mm).
Fonte: INMET – 1961/1990.

 

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Condições Climáticas

A temperatura da superfície do mar – TSM no oceano Pacífico Equatorial permaneceu em declínio no mês de dezembro, corroborando a atuação do fenômeno La Niña – Figura 3.1. No oceano Atlântico Sul, próximo a costa da Argentina, foram observadas anomalias positivas da TSM. Estas condições influenciam na redução da precipitação na região Sul e no deslocamento para norte da posição média da ZCAS.


Figura 3.1: Anomalia de TSM observada no mês de dezembro de 2011.
Fonte: NCEP/CPTEC

 

Um indicador de eventos do tipo El Niño e La Niña é o Índice de Oscilação Sul – IOS. Valores positivos deste índice estão associados à ocorrência de fenômenos do tipo La Niña, enquanto valores negativos referem-se a fenômenos do tipo El Niño. A intensidade dos fenômenos está associada ao valor absoluto do IOS. Na figura 3.2 apresenta-se uma comparação do biênio 2010-2011 com os demais biênios onde ocorreram eventos do tipo La Niña. Na tabela 3.1 são apresentados os valores do IOS em biênios de ocorrência deste fenômeno, a partir de 1970. Observa-se que o IOS apresenta sinal positivo desde abril de 2010 e que o maior valor absoluto já registrado deste índice ocorreu em dezembro de 2010, caracterizando o fenômeno La Niña do biênio 2010-2011 como o mais intenso do histórico. No mês de dezembro foi observada uma elevação significativa do IOS, caracterizando a intensificação de um novo episódio do fenômeno La Niña.


Figura 3.2: Evolução dos valores de IOS calculados para eventos do tipo La Niña desde
1970. Fonte: NOAA

 

 

Tabela 3.1: Valores mensais do IOS calculados para eventos do tipo La Niña desde 1970.
  1970 1971 1973 1974 1975 1976 1983 1984 1984 1985 1988 1989 1994 1995 1998 1999 1999 2000 2000 2001 2007 2008 2008 2009 2010 2011
JAN -2,3 -0,8 -1,3 -6,9 0,2 -0,3 -1 -5,4 3,2 1,1 -1,8 3,1 -2,5
FEV -2,7 -3,2 1 -7,6 0,9 -1,4 -0,8 -4,4 1,2 2,6 -0,7 4,4 -3,5
MAR 0,1 0,3 1,9 -5,6 -1,5 0,1 0,4 -5,7 1,4 1,6 -0,6 1,9 -2,3
ABR -0,6 -0,3 1,7 -2,2 0,3 -0,1 -1,8 -3,2 2,2 1,9 -0,6 0,9 2
MAI 0,2 0,4 0,8 0,7 -0,1 1,3 -1,2 0,1 0,1 0,3 -0,6 -0,5 1,3
JUN 1,2 1,3 1,8 -0,5 -1,3 -0,4 -0,4 1,2 -0,1 -1 0,3 0,5 0,1
JUL -1 0,9 3,4 -1,3 0,1 1,7 0,6 2 0,8

-0,7

-0,8 0,3 3,2
AGO 0,4 1,7 3,1 -0,3 0,1 2,2 -0,1 1,6 0,1 0,6 0,1 1,3 2,8
SET 2,1 2,3 3,9 1,7 0,2 3,4 0,5 2 -0,1 1,7 0,3 2,4 4,3
OUT 1,5 1 2,8 0,4 -1 2,2 -0,5 1,6 1,5 1,6 0,9 2,2 2,9
NOV 2,8 4,7 2,1 -0,3 0,4 3 -0,1 1,7 1,8 3,3 1,4 2,4 2,4
DEZ 3,3 3,2 3,7 -0,2 -0,7 2,1 -1,3 2,3 2,5 1,1 2,9 2,5 5,4
JAN 0,4 4,3 2,4 0,2 -0,7 2,7 1,7 3,2 1,1 1,8 3,1 1,9 3,8
FEV 3,1 3,2 2,6 0,9 1,7 1,8 -0,2 1,2 2,6 2,4 4,4 3 4,5
MAR 3,4 3,6 2,2 -1,5 0,3 1 1,2 1,4 1,6 0,8 1,9 -0,2 4,2
ABR 2,8 1,4 0,2 0,3 1,7 2,6 1,1 2,2 1,9 -0,1 0,9 1,1 3,1
MAI 1,2 1,4 0,3 -0,1 0,3 1,9 0,2 0,1 0,3 -1,4 -0,5 -0,7 0,6
JUN 0,2 0,1 -0,2 -1,3 -1,5 0,8 1,6 -0,1 -1 -0,1 0,5 -0,5 0,4
JUL 0,1 1,9 -1,9 0,1 -0,4 1,4 1 0,8 -0,7 -0,7 0,3 0,2 1,6
AGO 2,2 0,8 -2,2 0,1 1,1 -1,3 0,7 0,1 0,6 -1,6 1,3 -1,1 0,7
SET 2,7 2 -2,2 0,2 -0,1 0,9 1 -0,1 1,7 0,3 2,4 0,6 1,7
OUT 2,8 1,3 0,4 -1 -1,2 1 0,7 1,5 1,6 -0,6 2,2 -2,7 1,2
NOV 0,9 -0,5 1,1 0,4 -0,5 -0,6 -0,3 1,8 3,3 1,2 2,4 -1,3 1,8
DEZ 0,1 0 1 -0,7 -0,2 -1,2 1,3 2,5 1,1 -1,9 2,5 -1,7 4,1

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Previsão Climáticas

O modelo acoplado oceano-atmosfera do Climate Predicion Center do National Oceanic and Atmospheric Administration (CPC/NOAA) indica que as águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial permanecerão se resfriando nos próximos meses, com anomalias negativas mais intensas entre fevereiro e abril de 2012 – Figura 4.1.

Previsão trimestral das anomalias de TSM em todo o Globo para o período entre janeiro e junho de 2012. Fonte: NCEP.

A previsão climática de consenso para o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2012, elaborada pelo CPTEC/INPE em conjunto com o INMET, indica que nas bacias do subsistema Sul a precipitação variará entre a média e abaixo da média histórica. Na região próxima a Uhe Tucuruí, na bacia do rio Tocantins, a precipitação deverá variar entre a média e acima da média histórica. Nas demais bacias hidrográficas do SIN são previstos totais pluviométricos em torno da média climatológica. As temperaturas deverão ficar em torno da média histórica em todo o país.

 

BACIAS HIDROGRÁFICAS

PREVISÃO

PARANAÍBA

Precipitação: próxima da média histórica.

GRANDE

Precipitação: próxima da média histórica.

TOCANTINS

Precipitação: variando entre a média e acima da média histórica na região próxima a Uhe Tucuruí e próxima da média histórica nas demais áreas.

PARANÁ

Precipitação: próxima da média histórica.

IGUAÇU

Precipitação: variando entre a média e abaixo da média histórica.

SÃO FRANCISCO

Precipitação: próxima da média histórica.

URUGUAI e JACUÍ

Precipitação: variando entre a média e abaixo da média histórica.

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