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Visão geral do ONS

Junho de 2010

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Condições Meteorológicas

No mês de junho foram observados totais acumulados de precipitação inferiores a 25 mm nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, conforme descrito na Figura 1.1. No litoral da região Nordeste, entre os estados de Alagoas e Paraíba, foram observados os maiores totais acumulados de precipitação durante este mês. A intensificação dos ventos alísios, transportando mais umidade do oceano para o litoral, favoreceu a ocorrência de eventos extremos de precipitação nesta região. Um máximo secundário de precipitação acumulada neste mês é observado no extremo norte da região Norte, associado com o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical – ZCIT para latitudes mais elevadas. Na região Sul as chuvas que ocorreram neste período estiveram associadas à passagem de sistemas frontais, principalmente na segunda quinzena do mês.



Figura 1.1: Precipitação observada (mm) no mês de junho de 2010.
Fonte: ONS

 

Com esta distribuição espacial da precipitação, somente a bacia do rio Jacuí e as cabeceiras do rio Uruguai apresentaram precipitação acumulada próxima a média histórica do mês de junho. Nas demais bacias de interesse do SIN houve predomínio de anomalias negativas de precipitação, sendo superiores, em módulo, a 50mm nas bacias dos rios Iguaçu, Paraná, Paranapanema e Tietê, conforme mostrado na Figura 1.2.

Figura 1.2: Anomalia de precipitação observada no mês de junho de 2010. Fonte: CPTEC/INPE

 

Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste predominaram anomalias positivas de temperatura máxima, enquanto nas regiões Sul e Sudeste as temperaturas máximas variaram em torno da média histórica, como mostrado na Figura 1.3. Na Figura 1.4 observa-se o predomínio de anomalias positivas também de temperatura mínima na maior parte do Brasil no mês de junho, exceto em algumas regiões de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Pará.

Figura 1.3: Anomalia de temperatura máxima observada no mês de junho de 2010. Fonte: CPTEC/INPE

 

Figura 1.4: Anomalia de temperatura mínima observada no mês de junho de 2010. Fonte: CPTEC/INPE

 

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Climatologia

Na climatologia do mês de junho observa-se uma redução dos totais de precipitação acumulada, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, quando comparados aos meses anteriores. Em julho e agosto esta área de estiagem tem uma tendência média de expansão para as regiões Norte e Nordeste. No mês de setembro a média climatológica de precipitação apresenta um aumento na região Sul, devido a atuação de sistemas meteorológicos transientes, e na região Norte, devido ao início da primavera como apresentado na Figura 2.1.



Figura 2.1: Climatologia de precipitação (mm). Fonte: INMET – 1961/1990.

 

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Condições Climáticas

No mês de junho foram observadas anomalias negativas da Temperatura da Superfície do Mar – TSM no oceano Pacífico Equatorial Leste – Figura 3.1, variando entre -0,5 e -1ºC. A inversão de sinal nas anomalias de TSM sobre esta região indica o início do desenvolvimento do fenômeno La Niña.


Figura 3.1: Anomalia de TSM observada no mês de junho de 2010. Fonte: NCEP/CPTEC

 

Um indicador adicional de eventos do tipo El Niño e La Niña é o Índice de Oscilação Sul – IOS. Este índice é apresentado na figura 3.2, onde é feita uma comparação do biênio 2010-2011 com os demais biênios onde ocorreram eventos do tipo La Niña. Na tabela 3.1 são apresentados os valores do IOS, a partir do ano de 1970. Destaca-se que os valores positivos estão associados à ocorrência de fenômenos do tipo La Niña e valores negativos à ocorrência de fenômenos do tipo El Niño, e quanto maior o valor absoluto desse índice, mais intenso é o fenômeno. Observa-se que o IOS apresentou sinal positivo nos últimos três meses, sendo igual a 0.1 no mês de junho de 2010, o que corrobora o início do desenvolvimento do fenômeno La Niña.



Figura 3.2: Evolução dos valores de IOS calculados para eventos do tipo El Niño desde1972. Fonte: NOAA

 

 

Tabela 2.1: Valores mensais do IOS calculados para eventos do tipo El Niño desde 1970.
  1970 1971 1973 1974 1975 1976 1983 1984 1984 1985 1988 1989 1994 1995 1998 1999 1999 2000 2000 2001 2007 2008 2008 2009 2010 2011
JAN -2,3 -0,8 -1,3 -6,9 0,2 -0,3 -1 -5,4 3,2 1,1 -1,8 3,1 -2,5
FEV -2,7 -3,2 1 -7,6 0,9 -1,4 -0,8 -4,4 1,2 2,6 -0,7 4,4 -3,5
MAR 0,1 0,3 1,9 -5,6 -1,5 0,1 0,4 -5,7 1,4 1,6 -0,6 1,9 -2,3
ABR -0,6 -0,3 1,7 -2,2 0,3 -0,1 -1,8 -3,2 2,2 1,9 -0,6 0,9 2
MAI 0,2 0,4 0,8 0,7 -0,1 1,3 -1,2 0,1 0,1 0,3 -0,6 -0,5 1,3
JUN 1,2 1,3 1,8 -0,5 -1,3 -0,4 -0,4 1,2 -0,1 -1 0,3 0,5 0,1
JUL -1 0,9 3,4 -1,3 0,1 1,7 0,6 2 0,8

-0,7

-0,8 0,3  
AGO 0,4 1,7 3,1 -0,3 0,1 2,2 -0,1 1,6 0,1 0,6 0,1 1,3  
SET 2,1 2,3 3,9 1,7 0,2 3,4 0,5 2 -0,1 1,7 0,3 2,4  
OUT 1,5 1 2,8 0,4 -1 2,2 -0,5 1,6 1,5 1,6 0,9 2,2  
NOV 2,8 4,7 2,1 -0,3 0,4 3 -0,1 1,7 1,8 3,3 1,4 2,4  
DEZ 3,3 3,2 3,7 -0,2 -0,7 2,1 -1,3 2,3 2,5 1,1 2,9 2,5  
JAN 0,4 4,3 2,4 0,2 -0,7 2,7 1,7 3,2 1,1 1,8 3,1 1,9  
FEV 3,1 3,2 2,6 0,9 1,7 1,8 -0,2 1,2 2,6 2,4 4,4 3  
MAR 3,4 3,6 2,2 -1,5 0,3 1 1,2 1,4 1,6 0,8 1,9 -0,2  
ABR 2,8 1,4 0,2 0,3 1,7 2,6 1,1 2,2 1,9 -0,1 0,9 1,1  
MAI 1,2 1,4 0,3 -0,1 0,3 1,9 0,2 0,1 0,3 -1,4 -0,5 -0,7  
JUN 0,2 0,1 -0,2 -1,3 -1,5 0,8 1,6 -0,1 -1 -0,1 0,5 -0,5  
JUL 0,1 1,9 -1,9 0,1 -0,4 1,4 1 0,8 -0,7 -0,7 0,3 0,2  
AGO 2,2 0,8 -2,2 0,1 1,1 -1,3 0,7 0,1 0,6 -1,6 1,3 -1,1  
SET 2,7 2 -2,2 0,2 -0,1 0,9 1 -0,1 1,7 0,3 2,4 0,6  
OUT 2,8 1,3 0,4 -1 -1,2 1 0,7 1,5 1,6 -0,6 2,2 -2,7  
NOV 0,9 -0,5 1,1 0,4 -0,5 -0,6 -0,3 1,8 3,3 1,2 2,4 -1,3  
DEZ 0,1 0 1 -0,7 -0,2 -1,2 1,3 2,5 1,1 -1,9 2,5 -1,7  

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Previsão Climáticas

A previsão da TSM realizada pelo modelo acoplado oceano-atmosfera do Climate Predicion Center do National Oceanic and Atmospheric Administration (CPC/NOAA) permanece indicando anomalias negativas desta variável sobre o oceano Pacífico Equatorial nos próximos meses, culminando na configuração de um episódio La Niña, com início entre os meses de julho e agosto de 2010.

Previsão trimestral das anomalias de TSM em todo o Globo para o período entre agosto de 2010 e março de 2011. Fonte: NCEP.

A previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro de 2010, indica que os totais pluviométricos irão variar entre abaixo e próximo da média histórica nas bacias do subsistema Sul, além da bacia do rio Tietê e do trecho incremental a UHE Itaipu na bacia do rio Paraná. Para as demais bacias do subsistema Sudeste, as bacias dos subsistemas Nordeste e Centro-Oeste e para bacia do rio Tocantins são previstos totais pluviométricos próximos a média climatológica.

No que tange a temperatura do ar, para o próximo trimestre são previstos valores acima da normal climatológica na maior parte do país, exceto na região Sul, onde estão sendo previstos valores de temperaturas do ar próximos a média histórica.

 

BACIAS HIDROGRÁFICAS

PREVISÃO

PARANAÍBA

Precipitação: próxima da média histórica.

GRANDE

Precipitação: próxima da média histórica.

TOCANTINS

Precipitação: próxima da média histórica.

PARANÁ

Precipitação: entre a média e abaixo da média histórica no trecho incremental a Uhe Itaipu e próxima da média histórica nos demais trechos.

IGUAÇU

Precipitação: entre a média e abaixo da média histórica.

SÃO FRANCISCO

Precipitação: próxima da média histórica.

URUGUAI e JACUÍ

Precipitação: entre a média e abaixo da média histórica.

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