Resumo da Operação em 2016

O mês de janeiro de 2016 foi caracterizado por uma reversão dos padrões atmosféricos, quando se configurou a formação de um episódio da Zona de Convergência Intertropical (ZCAS), o primeiro do verão, sobre as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, favorecendo a ocorrência de precipitação e ocasionando anomalia positiva nas bacias hidrográficas dos rios Grande, São Francisco, Paranaíba e Tocantins. A partir de fevereiro, voltou a persistir o cenário de anomalia negativa de precipitação nessas bacias, enquanto nas bacias hidrográficas localizadas na região Sul, a precipitação variou entre valores acima ou próximo da média histórica. Esse padrão foi alterado nos meses de maio e junho quando as bacias dos rios Paranapanema e Tietê apresentaram anomalia positiva de precipitação e, posteriormente, em novembro quando ocorreu o mesmo nas bacias dos rios Grande, Paranaíba, São Francisco e Tocantins.

De janeiro a abril de 2016, a presença do fenômeno El Niño contribuiu, de uma maneira geral, para a ocorrência de chuvas acima da média nas bacias do subsistema Sul e abaixo da média no norte das regiões Norte e Nordeste, afetando a bacia do rio Parnaíba e a parte baixa das bacias dos rios São Francisco e Tocantins. Após um período sem anomalias significativas no oceano Pacífico Equatorial, a temperatura da superfície do mar se resfriou, dando origem a um fenômeno La Niña de fraca intensidade, que teve início em outubro e que pouco influenciou no regime de precipitação no país.

Nesse contexto, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste apresentou afluências em torno da média no período úmido de 2016, com 97% da média histórica de longo termo (MLT), representando o trigésimo sétimo pior período úmido do histórico. O período seco também teve afluências em torno da média, com 96% da MLT, o que totalizou um valor médio anual de 95% da MLT. No subsistema Sul, as afluências foram favoráveis com 117% da MLT no ano. No subsistema Norte, o comportamento das afluências foi desfavorável, com 54% da MLT, classificado como o pior ano do histórico, especialmente em seu período chuvoso (55% MLT). No Nordeste, o ano foi muito crítico, com 44% da MLT, sendo classificado como o segundo ano mais seco do histórico de 86 anos, enquanto o pior do histórico correspondeu ao ano de 2015, com 39% da MLT. O período seco de 2016 no Nordeste se caracterizou como o pior de todo o histórico, com 31% da MLT.

Em 2016, mais uma vez, ficou evidenciada a diversidade hidrológica dos subsistemas componentes do SIN. Caracterizou-se uma condição hidrológica mais favorável nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e no Sul; enquanto observou-se uma condição hidrológica crítica no Norte, sendo este o pior ano do histórico; e no Nordeste, constituindo-se, nesse subsistema, um novo período crítico plurianual, como mostrado na Tabela 1.

A Tabela 2 apresenta um resumo das condições das afluências nas bacias hidrográficas em 2016, mostrando também a diversidade hidrológica observada entre as principais bacias do SIN. Observaram-se condições críticas nas bacias do rio Paranaíba, Doce, Madeira, Tocantins e São Francisco, sendo que nestas duas últimas foram observados o pior e o segundo pior ano do histórico, respectivamente. Por outro lado, ocorreram afluências muito favoráveis nos rios Paranapanema, Tietê e Iguaçu. Nessa tabela, pode-se observar que as demais bacias integrantes do subsistema Sul, bacias dos rios Uruguai e Jacuí mostraram um comportamento uniforme e favorável em 2016.

No período úmido 2015/2016, condições mais favoráveis de afluências, em relação ao período úmido 2014/2015, nas principais bacias da região Sudeste/Centro-Oeste, propiciaram, ao final de 2016, o atingimento de níveis de armazenamento superiores aos registrados ao final de 2015. Na região Nordeste, a política de redução da defluência mínima na cascata do rio São Francisco foi determinante para o atingimento também de armazenamentos superiores aos de 2015, mesmo diante de mais um ano de escassez hídrica na região. Na tabela 3, tem-se esse comparativo dos armazenamentos atingidos ao final dos anos de 2015 e 2016.

Na região Sudeste/Centro-Oeste, em função das condições hidrológicas favoráveis observadas nas principais bacias da região, no período úmido 2015/2016, principalmente nos meses de dezembro/2015 e janeiro/2016, as medidas operativas de flexibilização de algumas das principais restrições hidráulicas do SIN, implementadas desde 2014, que visavam a preservação dos estoques nos aproveitamentos de cabeceira diante da permanência de condições hidrológicas desfavoráveis, e que perduraram por todo o ano de 2015, puderam ser revistas ao longo do ano de 2016. Neste contexto, destacam-se:

  • O retorno à operação da hidrovia Tietê-Paraná, ao final de janeiro/2016;
  • A manutenção, a partir de março/2016, do armazenamento do reservatório da hidrelétrica de Mascarenhas de Moraes em níveis próximos ou superiores a 75% do Volume Útil, para captação de água e travessia de balsa no reservatório;
  • Normalização das considerações das restrições de defluência mínima das usinas de Jupiá, Porto Primavera, Caconde e da barragem de Santa Cecília;
  • Manutenção do reservatório da usina de Itaipu na faixa normal operativa, entre a cota máxima de 220,40 metros e a mínima de 218,50 metros.

Na Região Nordeste, a manutenção do cenário de escassez hídrica, continuou exigindo do ONS articulação e trabalho conjunto com as agências reguladoras Ana e Aneel, o Ibama, o MME, o MMA, o Comitê de Bacias e os Agentes setoriais, que tem conduzido as reduções na defluência mínima da cascata do São Francisco, de forma a preservar os estoques nas usinas de Três Marias e Sobradinho, assim como os usos múltiplos da água na bacia.

O cuidadoso gerenciamento dos recursos hidroenergéticos disponíveis, realizado pelo ONS, associado à sua evolução ao longo do ano e à expectativa de se atingir níveis de armazenamento da ordem de 30% nas regiões Sudeste/Centro-Oeste ao final de novembro de 2016, possibilitaram ao CMSE deliberar pela redução gradual do despacho térmico por segurança energética ao longo do primeiro semestre de 2016, conduzindo ao desligamento das usinas térmicas, despachadas por segurança energética nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul, a partir de 4 de junho. Entretanto, em função da permanência do cenário hidrológico extremamente desfavorável nas regiões Norte e Nordeste, o CMSE deliberou pela possibilidade do ONS despachar geração térmica adicional à ordem de mérito nessas regiões, por garantia de suprimento energético. O montante foi definido em função da produção eólica na região Nordeste e da evolução do armazenamento do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí ao longo do ano.

Ao longo do ano, o ONS desenvolveu estudos e implantou medidas conjunturais que possibilitaram operar a rede elétrica em conformidade com os critérios de continuidade, confiabilidade e qualidade de suprimento estabelecidos nos Procedimentos de Rede. Dentre as mais importantes, pode-se destacar:

  • Coordenação das intervenções e ações operativas que viabilizaram o comissionamento e entrada em operação dos Polos 3 e 4 do Bipolo 2, do sistema HVDC do complexo do rio Madeira;
  • Elevação dos limites de transmissão das regiões N/NE para as regiões Centro-Oeste/Sudeste, que viabilizou a exploração dos excedentes energéticos da região Norte;
  • Durante o período em que ficaram indisponíveis 13 circuitos de 440kV e 345kV, pela queda intempestiva de diversas torres de transmissão na área São Paulo, foram estabelecidos limites de transmissão e ações operativas mitigadoras que garantiram a segurança elétrica do SIN;
  • Coordenação das atividades relacionadas às diretrizes operativas para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Atendimento a critérios diferenciados de segurança eletroenergética, sem aumentar sobremaneira os Encargos de Serviços do Sistema (ESS);
  • Foram estabelecidas diretrizes no sentido de viabilizar a maximização dos valores de recebimento pela região Centro-Oeste/Sudeste provenientes das regiões Acre/Rondônia e Mato Grosso, de forma explorar a plena capacidade instalada nas usinas de Santo Antônio, Jirau e Teles Pires.

As avaliações do desempenho elétrico do SIN realizadas ao longo de 2016 propuseram as seguintes medidas:

  • Operação com o setor de 500 kV da subestação Adrianópolis de forma segregada. Esta medida contribuiu sobremaneira para a otimização energética e redução da geração térmica da usina Mário Lago, reduzindo assim o custo da operação do sistema;
  • Análise e coordenação das análises referentes à operação do SIN durante o período do Carnaval de 2016, com o atendimento de critérios diferenciados para aumentar a segurança operativa do SIN;
  • Avaliação de diretrizes para redução do carregamento da linha de transmissão em 138 kV Pioneiros – Franca da CPFL, através da abertura do TR13 345/138 kV – 400 MVA da subestação Mascarenhas de Moraes e da linha de transmissão em 138 kV Jaguara – Mascarenhas de Moraes. A relevância desta avaliação foi possibilitar a prática de valores elevados de geração térmica à biomassa na região Noroeste do estado de São Paulo, concomitante com a geração maximizada na hidrelétrica de Porto Colômbia, necessária para manter despacho de geração elevado na cascata das usinas do rio Grande, sem ocorrência de vertimento turbinável;
  • Coordenação das análises para definição de novas diretrizes para controle de carregamento da transformação 345/230 kV – 3 x 225 MVA da subestação Itumbiara, diante da perda da linha de transmissão em 500 kV Itumbiara – Rio Verde Norte. A relevância foi minimizar a desotimização energética e, simultaneamente, salvaguardar a integridade dos equipamentos.