Em 2009, a carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional – SIN apresentou um crescimento anual de 0,7% quando comparada a carga verificada em 2008. Embora as taxas de crescimento tenham sido maiores nos subsistemas Sul e NE, devido a expressiva participação da carga do subsistema SE/CO, cerca de 60%, esta exerceu maior influência sobre a taxa de crescimento do total do SIN. Soma-se a isso a contribuição para o desempenho da carga, a interligação ao SIN do Sistema Isolado Acre-Rondônia na carga do Subsistema Sudeste/Centro, no final de outubro/09.
| Tabela 1 - Evolução da carga | |||||
| SUBSISTEMAS | MW médio | Variação % | |||
| Verificado - 2009 | Verificado - 2008 | 2009 / 2008 | |||
| SIN | 52.234 | 51.873 | 0,7 | ||
| SE/CO | 32.146 | 32.008 | 0,4 | ||
| Sul | 8.783 | 8.660 | 1,4 | ||
| Nordeste | 7.675 | 7.547 | 1,7 | ||
| Norte | 3.631 | 3.658 | -0,7 | ||
O comportamento da carga de energia no SIN ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

O ano de 2009 foi muito impactado pelos efeitos da crise financeira internacional, deflagrada a partir de setembro/08. As empresas em geral diminuíram a produção na tentativa de se ajustar ao volume de estoques acumulados. Em contrapartida o aumento da renda e o esforço na manutenção do crédito voltada para o consumo interno mostrou sinais de recuperação e a partir do segundo semestre do ano já se podia perceber resultados positivos na economia.
Exemplo disso foi o setor de embalagens, que, como bom sinalizador, notadamente a produção de papelão, bateu recorde em outubro/09. Embora alguns segmentos industriais, principalmente aqueles voltados para o mercado externo, como os de commodities, não tenham conseguido se recuperar totalmente em razão da menor demanda mundial, com destaque para o setor metalúrgico ainda em recuperação, a expectativa para o próximo ano é de um bom desempenho econômico.
A estimativa de mercado para o crescimento anual do PIB(1) do Brasil no ano de 2009, divulgada em 31/12/09 pelo Banco Central indica uma variação negativa de 0,24% enquanto a taxa de crescimento da carga de energia verificada no mesmo período é de 0,7%.
Para melhor entender o comportamento da carga ao longo de 2009 deve ser analisado considerando duas etapas distintas: o primeiro semestre (jan-jun) e o período anual (jan-dez).
O período jan-jun/09, ou seja, até o final do 1º semestre do ano o Brasil acumulava um decréscimo de 1,9% do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesse período, a carga de energia do SIN, apresentou uma variação negativa de 1,2%.
O comportamento trimestral da carga e do PIB pode ser observado no gráfico seguinte.

O baixo desempenho da carga foi influenciado, principalmente, pelos efeitos da crise sobre a carga do setor industrial que tem sua maior concentração no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, cuja taxa de crescimento foi negativa de 13,0% no primeiro semestre de 2009. Observou-se também que a ocorrência de temperaturas amenas durante grande parte do ano, inclusive nos meses tipicamente quentes, e o grande volume de chuvas no último trimestre do ano, foram fatores de influência importante no comportamento da carga.
No entanto, durante todo o ano, foi observado que a carga de energia elétrica voltada para uso residencial e comercial mantevese com crescimento positivo.
Ainda em relação ao comportamento da carga, cabe registrar que a partir do mês de julho de 2009, os sinais de recuperação econômica foram observados notadamente no setor industrial, com reflexo no aumento da carga.
A carga de energia do Subsistema SE/CO apresentou no ano um crescimento de 0,4%, acima da carga verificada no ano anterior.
Neste subsistema, além dos efeitos da crise na economia, por ser a região de maior concentração industrial, o desempenho da carga de energia foi muito impactado pelas temperaturas que se mantiveram amenas durante quase todo o ano, com exceção dos meses de março e novembro/09, onde a carga se apresentou em patamares mais elevados provocada pelo aumento da carga de refrigeração em função da ocorrência de temperaturas muito elevadas em relação ao histórico. No 1º semestre a taxa de crescimento verificada foi de -1,8%.
No 2º semestre, a taxa verificada de 2,7% foi influenciada em maior grau pela recuperação da atividade econômica da região, muito afetada pela crise internacional. O comportamento da carga de energia no SE/CO pode ser observado no gráfico seguinte:

A taxa de crescimento anual do Subsistema Sul em relação ao ano anterior foi de 1,4%.No 1º semestre a taxa de crescimento verificada foi de 0,1%. No 2º semestre, a taxa verificada de 2,8%.
A ocorrência de temperaturas muito elevadas, com destaque nos meses de março e novembro/09, ocasionou um aumento expressivo da carga em função de uso intenso de aparelhos de refrigeração.

O resultado anual da taxa de crescimento da carga do Subsistema Nordeste foi de 1,7% em relação ao ano anterior. No 1º semestre a carga apresentou uma variação negativa de 0,3%. No 2º semestre, a taxa verificada de 3,6% foi influenciada por consumo adicional de um consumidor livre que é plenamente atendido por autoprodução.
A carga de energia desse subsistema, impulsionado pelas atividades econômicas voltadas para o mercado interno também foi impactado pelos efeitos da crise financeira internacional. O comportamento da carga de energia no Nordeste ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

Esse subsistema apresentou uma variação negativa de 0,7% em relação ao ano anterior.O comportamento ao longo do ano foi influenciado pelo desempenho da carga de grandes consumidores eletrointensivos instalados na região, cuja produção que é destinada basicamente ao mercado externo, foi fortemente afetada pela crise internacional.
No 1º semestre a taxa de crescimento verificada foi nula. A taxa negativa verificada de 1,4% no 2º semestre, foi influenciada em maior grau pelo consumo adicional de um consumidor livre nesse mesmo período do ano anterior, que teve redução temporária de parte de sua autoprodução.
O comportamento da carga de energia no Norte ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

No Sistema Interligado, a carga de demanda máxima ocorreu no mês de outubro e foi 2,4% inferior a verificada em 2008, que ocorreu no mês de setembro.
No Subsistema Sudeste/Centro-Oeste aa carga de demanda máxima foi verificada em dezembro, resultando num decréscimo de 2,7% em relação à máxima de 2008, que ocorreu no mês de setembro.
No Subsistema Sula carga de demanda máxima ocorreu no mês de março, sendo 3,7% superior à máxima verificada em 2008, que ocorreu no mês de abril.
No Subsistema Nordestea carga de demanda máxima foi verificada em dezembro, sendo 2,8% superior à demanda máxima de 2008, que ocorreu em novembro.
No Subsistema Nortea carga de demanda máxima ocorreu em dezembro e registrou um acréscimo de 9,4%, quando comparada à máxima verificada em 2008, que ocorreu no mês de outubro.
| Tabela 2 - Demanda Máxima Instantânea no Horário de Ponta - MW | |||||
| Subsistemas | Demanda Instantânea (MW) | ||||
| Verificada em 2009 | mês | Verificada em 2008 | mês | Verificação % 2009 / 2008 | |
| SIN | 64.044 | out | 65.586 | set | -2,4 |
| SE/CO | 40.514 | dez | 41.635 | set | -2,7 |
| SUL | 12.263 | mar | 11.830 | abr | 3,7 |
| NORDESTE | 9.846 | dez | 9.582 | nov | 2,8 |
| NORTE | 4.646 | dez | 4.245 | out | 9,4 |

