Boletim Anual 2008

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Visão geral do ONS

  • 1. Comportamento da carga do Sistema Interligado Nacional – SIN em 2008
    • Em 2008, a carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional – SIN apresentou um crescimento anual de 2,8% quando comparada a carga média verificada em 2007. Embora tenham sido verificadas taxas de crescimento maiores nos subsistemas Sul, NE e N, devido a expressiva participação da carga do subsistema SE/CO no total do SIN, cerca de 60%, esta exerceu maior influência sobre a taxa de crescimento do total do SIN.

      Tabela 1 - Evolução da carga
      SUBSISTEMAS MW médio Variação %
      Verificado - 2008 Verificado - 2007 2008 / 2007
      SIN 51.870 50.471 2,8
      SE/CO 32.005 31.274 2,3
      Sul 8.667 8.372 3,5
      Nordeste 7.539 7.311 3,2
      Norte 3.658 3.513 4,1

      O comportamento da carga de energia no SIN ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

  • 2. Aspectos Macroeconômicos relevantes
    • A estimativa do Banco Central para o crescimento anual do PIB em 2008 indica uma taxa de 5,5%(1) , no entanto a taxa de crescimento da carga de energia em 2008 é de 2,8%. O comportamento da carga ao longo de 2008 deve ser analisado considerando o período de jan-set/08 e o período integral de jan-dez/08.

      O período jan-set/08, ou seja, até o 3º trimestre do ano o Brasil acumulava um crescimento do PIB de 6,2%, impulsionado, essencialmente, pelo aumento da demanda doméstica e as exportações. Apesar da forte expansão do PIB, não foram observados indicadores de evolução da carga de energia elétrica do SIN na mesma intensidade, o crescimento nesse período foi de 3,4%. Esse baixo desempenho foi influenciado principalmente, pelo subsistema Sudeste/Centro-Oeste com crescimento de 3,1%.

      A ocorrência de temperaturas amenas durante grande parte do ano, inclusive os primeiros seis meses, também foi fator de influência importante.

      Outro fator que também teve influência nesse desempenho foi o alto preço da energia elétrica no mercado de curto prazo (PLD), durante os meses de janeiro e fevereiro, resultante do atraso do início do período úmido. Este fato inibiu a produção adicional dos setores industriais que utilizam de forma mais intensa energia elétrica, minimizando a complementação de seus requisitos de energia no mercado de curto prazo.

      Durante esses meses também ocorreram, aumentos na geração de energia proveniente de autoprodução sem uso da rede de transmissão ou de distribuição. No Sudeste/Centro-Oeste, consumidores industriais de grande porte, que dispõem de capacidade de autoprodução, tiveram parte importante de seu consumo atendida dessa forma, ao contrário do que ocorreu nesse mesmo período de 2007.

      Também contribuíram para o baixo crescimento da carga, o fato de que em 2008 houve utilização bem mais intensa dos recursos de geração térmica do que 2007. Como as usinas térmicas encontram-se localizadas próximas aos centros de carga, a malha de transmissão fica mais aliviada o que contribui para a redução de perdas na Rede Básica.

      Ainda com relação ao comportamento da carga cabe registrar que a partir do mês de junho de 2008 se podia observar uma recuperação do desempenho com aumento da carga que passou de um crescimento médio mensal de cerca de 2,0% para cerca de 5,0%. Porém, esse melhor desempenho durou até metade do mês de setembro quando houve o agravamento da crise financeira internacional, atingindo a economia brasileira principalmente através dos canais do crédito e do câmbio com conseqüente perda de ritmo do setor produtivo, que num contexto de aumento da incerteza no ambiente econômico internacional, anteciparam a concessão de férias coletivas e efetuaram paradas técnicas não programadas.

    • 3. Evolução da Carga por Subsistema.

    • 3.1 Subsistema Sudeste/Centro-Oeste
      • A carga de energia do Subsistema SE/CO apresentou no ano um crescimento de 2,3%, mais baixo que o observado nos anos anteriores.

        Neste subsistema, além dos fatores econômicos, já citados, o desempenho da carga de energia foi fortemente impactado pelas temperaturas que se mantiveram amenas durante quase todo o ano. No 1º semestre a taxa de crescimento média verificada foi de 2,0%.

        No 2º semestre, a taxa verificada de 2,7% foi influenciada em maior grau pelo desempenho da atividade econômica da região, muito afetada pela crise internacional, levando setores de grande representatividade da indústria a tomarem medidas preventivas de redução de produção, como paralisações temporárias e antecipação de férias coletivas. O comportamento da carga de energia no SE/CO ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

    • 3.2 Subsistema Sul
      • A taxa de crescimento anual do Subsistema Sul em relação ao ano anterior foi de 3,5%. No comportamento sazonal da carga ao longo do ano também se destaca os meses de junho e julho, quando a carga foi muito influenciada pela ocorrência de temperaturas elevadas para essa época do ano.

        O comportamento da carga, durante o ano de 2008, refletiu os efeitos da recuperação das atividades econômicas da região, cujos resultados foram influenciados pelo comportamento do setor de agroindústria, até o rebatimento dos efeitos da crise. No entanto, nos últimos meses, excesso de chuvas causando enchentes, a interrupção do abastecimento de gás natural para parte das indústrias pelo rompimento do gasoduto e a seca em parte do RS limitando inclusive o uso da irrigação, afetaram diretamente o comportamento da carga desse subsistema. O comportamento da carga de energia no Sul ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

    • 3.3 Subsistema Nordeste
      • O resultado anual da taxa de crescimento da carga do Subsistema Nordeste foi de 3,2% em relação ao ano anterior. Esse comportamento foi influenciado principalmente pelo grande volume de chuvas acompanhadas de temperaturas amenas ao longo do ano.

        O consumo de energia desse subsistema, tem sido impulsionado pelas atividades econômicas voltadas para o mercado interno mas, também nesse subsistema, foi observado redução do crescimento da carga a partir de meados do mês de novembro/08. O comportamento da carga de energia no Nordeste ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

    • 3.4 Subsistema Norte
      • A taxa de crescimento anual da carga deste subsistema, em relação ao ano anterior, foi de 4,1%. O comportamento ao longo do ano foi influenciado por aumentos de carga a partir de meados do ano, devido a redução temporária de parte da autoprodução de um grande consumidor livre na região.

        É característica desse subsistema variações incrementais das perdas na Rede Básica, ao longo do ano, devido a exportação de energia para as demais regiões.

        Merece destaque, também, a expressiva participação de grandes consumidores eletrointensivos instalados na região, cuja produção é destinada basicamente ao mercado externo, e que mantiveram um elevado nível de requisito de energia durante todo o ano, além do aumento nas atividades econômicas regionais impulsionados pelo incremento da renda das famílias provocado pelos programas sociais do governo. O comportamento da carga de energia no Norte ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.


  • 4. Carga de Demanda Máxima Instantânea
    • No Sistema Interligado, a carga de demanda máxima ocorreu no mês de setembro e foi 1,9% superior a verificada em 2007, que ocorreu no mês de março.

      No Subsistema Sudeste/Centro-Oeste a carga de demanda máxima foi verificada em setembro, resultando num acréscimo de 1,6% em relação à máxima de 2007, que ocorreu no mês de abril.

      No Subsistema Sul a carga de demanda máxima ocorreu no mês de abril, sendo 2,0% superior à máxima verificada em 2007, que ocorreu no mês de março.

      No Subsistema Nordeste a carga de demanda máxima foi verificada em novembro, sendo 2,5% superior à demanda máxima de 2007, que ocorreu em outubro.

      No Subsistema Norte a carga de demanda máxima ocorreu em outubro e registrou um acréscimo de 3,3%, quando comparada à máxima verificada em 2007, que ocorreu no mês de maio.

      Tabela 2 - Demanda Máxima Instantânea no Horário de Ponta - MW
      Subsistemas Demanda Instantânea (MW)
      Verificada em 2008 mês Verificada em 2007 mês Verificação % 2008 / 2007
      SIN 65.586 set 64.371 mar 1,9
      SE/CO 41.635 set 40.996 abr 1,6
      SUL 11.830 abr 11.597 mar 2,0
      S/SE/CO 52.571 set 52.141 mar 0,8
      NORDESTE 9.582 nov 9.345 out 2,5
      NORTE 4.245 out 4.108 mai 3,3
      N/NE 13.674 out 13.233 out 3,3

  • 5. Avaliação da Evolução da Carga X PIB
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