Em 2007, a carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional – SIN apresentou um crescimento anual de 4,8% quando comparada a carga média verificada em 2006. Devido a expressiva participação de 62% da carga do Subsistema SE/CO no total do SIN, o crescimento do SIN sofre maior influência do comportamento da carga deste subsistema.
| Tabela 1 - Evolução da carga | |||||
| SUBSISTEMAS | MW médio | Variação % | |||
| Verificado - 2007 | Verificado - 2006 | 2007 / 2006 | |||
| SIN | 49.734 | 47.473 | 4,8 | ||
| SE/CO | 30.845 | 29.355 | 5,1 | ||
| Sul | 8.167 | 7.852 | 4,0 | ||
| Nordeste | 7.246 | 6.913 | 4,8 | ||
| Norte | 3.477 | 3.353 | 3,7 | ||
O comportamento da carga de energia do SIN ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

A estimativa para o crescimento do PIB no ano de 2007 é de 5,2%, no entanto a taxa de crescimento da carga de energia em 2007 é de 4,8%, inferior, portanto, a taxa do PIB no mesmo período. Este comportamento da carga representa uma mudança no padrão de crescimento que vinha sendo observado desde a adoção do atual regime de política econômica. O crescimento do PIB em 2007 foi impulsionado, essencialmente, pelo aumento da demanda doméstica. No comportamento da carga ao longo do ano, destacam-se ainda a continuidade do crescimento da demanda externa por produtos da pauta de exportações brasileiras, fatores climáticos e variações no desempenho de setores econômicos, que resultaram em acréscimo na carga do SIN de 4,8%, superior ao índice de 3,9% verificado em 2006.
A taxa de crescimento anual da carga (4,8%) inferior a taxa prevista do PIB (5,2%) requer análises mais detalhadas para seu diagnóstico. Cita-se a seguir alguns fatores que podem ter influenciado esse fato:
- aumento da participação da autoprodução de energia por grandes consumidores, inclusive em processos de cogeração;
- maior participação do setor serviço, menos intensivo em energia elétrica, na nova metodologia de cálculo do PIB;
- aumento da utilização da capacidade instalada da indústria para níveis elevados;
- na região sul, chuvas intensas no verão reduziram o consumo de energia voltado para irrigação muito utilizada nessa época do ano.
A carga de energia do Subsistema SE/CO, que participa com 62% do SIN, apresentou no ano um crescimento de 5,1%. No comportamento sazonal da carga ao longo do ano, destaca-se o mês de março, cujo resultado foi influenciado pela ocorrência de temperaturas elevadas, superiores às médias históricas do período. Em contrapartida, no segundo semestre, nos meses de julho, agosto e, principalmente, novembro, foram verificados valores de temperaturas máximas inferiores aos de 2006.
Neste subsistema, a carga de energia no 1º semestre teve maior influência da variável temperatura, o que elevou a taxa de crescimento média verificada (4,7%). No entanto, no 2º semestre, a taxa verificada de 5,4% foi influenciada em maior grau pelo aumento gradativo da atividade econômica, crescimento do PIB, particularmente da produção industrial voltada para o mercado interno, que foi impulsionada pelo aumento da renda e expansão do crédito.
O comportamento da carga de energia do Subsistema SE/CO ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

A taxa de crescimento anual do Subsistema Sul em relação ao ano anterior foi de 4,0%. No comportamento sazonal da carga ao longo do ano também se destaca o mês de março, cuja carga foi muito influenciada pela ocorrência de temperaturas elevadas e o mês de novembro com temperaturas amenas para essa época do ano.
Foram bastante relevantes no comportamento da carga, durante o ano de 2007, os efeitos da recuperação das atividades econômicas da região, cujos resultados estão sendo influenciados pelo comportamento do setor de agroindústria, após os baixos resultados nos dois últimos anos.
O comportamento da carga de energia no Sul ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

O resultado anual da taxa de crescimento da carga do Subsistema Nordeste foi de 4,8% em relação ao ano anterior. Esse comportamento foi influenciado principalmente pelo grande volume de chuvas e temperaturas baixas (comportamento atípico) ocorridas nos meses de fevereiro e maio além da extensão do período chuvoso durante o mês de agosto, ao longo de todo o litoral e zona da mata da região, onde há maior concentração da atividade produtiva da região. Esses fatos evitaram um crescimento maior da carga neste ano de 2007.
Cabe destacar que o consumo de energia desse subsistema, tem sido impulsionado pelas atividades econômicas voltadas para o mercado interno, em função do aumento da renda resultante dos programas sociais do governo.
O comportamento da carga de energia no Nordeste ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

A taxa de crescimento anual da carga deste subsistema, em relação ao ano anterior, foi de 3,7%. O comportamento ao longo do ano foi influenciado por reduções de carga no mês de fevereiro, devido à realização de serviços de manutenção não previstos de consumidores eletrointensivos, além da ocorrência de intensas chuvas durante grande parte do mês. Nesse subsistema também ocorreu incremento das perdas no sistema de transmissão, devido ao aumento do intercâmbio, através da exportação de energia para as demais regiões nos meses de abril e maio.
Merece destaque, também, a grande participação de consumidores eletrointensivos instalados na região que mantiveram um elevado nível de requisito de energia durante todo o ano e o aumento nas atividades econômicas regionais devido ao incremento da renda das famílias provocado pelos programas sociais do governo.
O comportamento da carga de energia no Norte ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

No Sistema Interligado, a carga de demanda máxima ocorreu no mês de março e foi 4,2% superior a verificada em 2006, que ocorreu no mês de abril.
No Subsistema Sudeste/Centro-Oeste a carga de demanda máxima foi verificada em abril, resultando num acréscimo de 4,0% em relação à máxima de 2006, que também foi verificada em abril.
No Subsistema Sul a carga de demanda máxima ocorreu no mês de março, sendo 5,6% superior à máxima verificada em 2006, que também ocorreu no mês de março.
No Subsistema Nordeste a carga de demanda máxima foi verificada em outubro, sendo 3,3% superior à demanda máxima de 2006, que ocorreu em dezembro.
No Subsistema Norte a carga de demanda máxima ocorreu em maio e registrou um acréscimo de 3,5%, quando comparada à máxima verificada em 2006, que ocorreu no mês de agosto.
| Tabela2 - Demanda Máxima Instantânea | |||||
| Subsistemas | Demanda Máxima Instantânea (MW) | ||||
| Verificada em 2007 | mês | Verificada em 2006 | mês | Verificação % 2007 / 2006 | |
| SIN | 64.371 | mar | 61.782 | mai | 4,2 |
| SE/CO | 40,996 | abr | 39.433 | abr | 4,0 |
| SUL | 11.597 | mar | 10.983 | mar | 5,6 |
| S/SE/CO | 52.141 | mar | 50.020 | abr | 4,2 |
| NORDESTE | 9.345 | out | 9.047 | dez | 3,3 |
| NORTE | 4.108 | mai | 3.971 | ago | 3,5 |
| N/NE | 13.168 | nov | 12.775 | dez | 3,1 |
