Em 2006, a carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional – SIN apresentou um crescimento anual de 3,9% quando comparada a carga média verificada em 2005. Os crescimentos verificados por subsistemas foram de 3,5% para o Sudeste/Centro-Oeste, 3,9% para o Sul, 3,3% para o Nordeste e 8,1% para o Norte, conforme visualizado na tabela 1. Devido a expressiva participação da carga do subsistema SE/CO no total do SIN, cerca de 61%, o crescimento do SIN sofre maior influência do comportamento da carga deste subsistema.
| Tabela 1 - Evolução da carga | |||||
| SUBSISTEMAS | MW médio | Variação % | |||
| Verificado - 2006 | Verificado - 2005 | 2006 / 2005 | |||
| SIN | 47.473 | 45.709 | 3,9 | ||
| SE/CO | 29.355 | 28.355 | 3,5 | ||
| Sul | 7.851 | 7.557 | 3,9 | ||
| Nordeste | 6.913 | 6.695 | 3,3 | ||
| Norte | 3.353 | 3.102 | 8,1 | ||
O comportamento da carga de energia do SIN ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

A taxa de crescimento da carga no ano de 2006 apresenta-se maior do que a taxa estimada do PIB para o mesmo período. O último boletim do Banco Central divulgado, estima para 2006 uma taxa de crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto. Essa diferença é particularmente importante, na medida em que esse indicador de desempenho da economia serve de balizamento para o acompanhamento da carga, em função da influência das atividades econômicas, principalmente, a atividade industrial, na evolução da carga.
No comportamento mensal da carga, destacam-se os meses de abril, maio, junho e outubro, que apresentaram taxas bem inferiores à média anual. Este comportamento foi influenciado por fatores conjunturais, como a redução de dias úteis por feriados prolongados e o efeito da Copa do Mundo, fatores climáticos e variações no desempenho de setores econômicos, e resultou em acréscimo na carga do SIN de 3,9%, inferior ao verificado em 2005 que foi de 4,5%.
A carga de energia do Subsistema SE/CO, que participa com 61% do SIN, apresentou no ano um crescimento de 3,5%. O comportamento da carga ao longo do ano foi marcado por um comportamento sazonal atípico, uma vez que a evolução da carga sofre forte influência do desempenho da atividade econômica, particularmente nesse subsistema.
Neste subsistema, a variável temperatura também tem um elevado grau de comprometimento no comportamento da carga, e esse foi o principal fator de influência na elevada taxa de crescimento média verificada no 1º trimestre (5,5%). Em contrapartida, no 2º trimestre, as baixas taxas verificadas, de apenas 0,5%, foram influenciadas também por fatores econômicos conjunturais, o que contribuiu para um crescimento no 1º semestre de 3,0%.
No decorrer do 2º semestre, o aumento gradativo da atividade econômica, principalmente voltada para o mercado interno, impulsionado pelo aumento da renda, expansão do crédito e queda da taxa de juros, contribuíram para a expansão média de 4,1% em relação a igual período de 2005.
O comportamento da carga de energia do Subsistema SE/CO ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.
O comportamento da carga de energia do SIN ao longo do ano pode ser observado no gráfico seguinte.

A taxa de crescimento anual do Subsistema Sul em relação ao ano anterior foi de 3,9%. Analisando o comportamento ao longo do ano, observa-se no 1º trimestre um comportamento similar ao ocorrido no mesmo período de 2005, onde o clima seco e temperaturas elevadas resultaram num expressivo aumento da carga de energia para irrigação e refrigeração. Esse fato associado à redução na atividade industrial verificada ao longo do 2º trimestre foram os fatores que mais contribuíram para a variação de 2,9%, observada na carga de energia durante o 1º semestre do ano.
O desempenho da atividade industrial desse subsistema desde o início do ano apresentou significativa retração, devido à redução das exportações decorrentes da perda de competitividade dos produtos da região. A redução da produção dos setores de calçados e móveis, a queda da produção da agroindústria, e a redução das exportações de carne bovina e de frango, em função da retração dos mercados importadores, foram os principais fatores econômicos da evolução da carga no 1º semestre.
Em contrapartida, o aumento da atividade econômica ocorrida ao longo do 2º semestre para atendimento ao mercado interno acarretou aumento na demanda de energia, ocasionando um incremento na carga de 4,8% nesse semestre.
O gráfico a seguir apresenta o comportamento da carga de energia ao longo do ano.

O resultado anual da taxa de crescimento da carga do Subsistema Nordeste de 3.3% em relação ao ano anterior foi formado por taxas que se mostraram variáveis durante o ano de 2006. Nos primeiros meses e nos últimos meses do ano foram observados valores que acompanharam o crescimento médio da carga do subsistema no ano de 2005, com destaque para a parte final do ano, que foi impulsionado pelas atividades econômicas voltadas para o mercado interno em virtude do aumento da renda da população.
Nos quatro meses intermediários, abril a julho, o resultado obtido foi aquém dos demais, reduzindo a taxa de crescimento anual da carga. Os fatores que mais influenciaram as taxas desses quatro meses foram a ampliação do período chuvoso, que acarretou temperaturas amenas, e a retração da atividade econômica.
No gráfico a seguir pode ser observado o comportamento da carga de energia do Subsistema NE ao longo do ano.

A taxa de crescimento anual da carga deste subsistema, em relação ao ano anterior foi de 8,1%. Acréscimos expressivos foram observados ao longo de todo ano, com uma pequena retração nos dois últimos meses.
Este resultado reflete o comportamento da carga das concessionárias de distribuição, diretamente influenciadas pelo aumento do consumo do mercado interno, e o aumento gradual da capacidade instalada de consumidores industriais eletrointensivos, que detêm uma expressiva participação na carga desse subsistema.
O comportamento da carga de energia do Norte ao longo do ano pode ser observado no gráfico a seguir.

No Sistema Interligado, a carga de demanda máxima ocorreu no mês de abril e foi 1,4% superior a verificada em 2005, também no mês de abril.
No Subsistema Sudeste/Centro-Oeste a carga de demanda máxima foi verificada em abril, resultando num acréscimo de 2,6% em relação à máxima de 2005, que também foi verificada em abril.
No Subsistema Sul a carga de demanda máxima ocorreu no mês de março, sendo 0,7% inferior à máxima verificada em 2005, que ocorreu no mês de abril.
No Subsistema Nordeste a carga de demanda máxima foi verificada em dezembro, sendo 5,1% superior à demanda máxima de 2005 que ocorreu em outubro.
No Subsistema Norte a carga de demanda máxima ocorreu em dezembro e registrou um acréscimo de 7,4%, quando comparada à máxima verificada em 2005, que ocorreu no mês de novembro.
| Tabela2 - Demanda Máxima Instantânea | |||||
| Subsistemas | Demanda Máxima Instantânea (MW) | ||||
| Verificada em 2006 | mês | Verificada em 2006 | mês | Verificação % 2006 / 2005 | |
| SIN | 61.782 | abr | 60.918 | abr | 1,4 |
| SE/CO | 39,433 | abr | 38.426 | abr | 2,6 |
| SUL | 10.983 | mar | 11.056 | abr | -0,7 |
| S/SE/CO | 50.020 | abr | 49.369 | abr | 1,3 |
| NORDESTE | 9.047 | dez | 8.609 | out | 5,1 |
| NORTE | 3.977 | dez | 3.702 | nov | 7,4 |
| N/NE | 12.775 | dez | 12.165 | out | 5,0 |
O ONS e a EPE – Empresa de Pesquisa Energética concluíram as projeções de carga para o período 2007-2011. As projeções indicam para o ano de 2007, crescimentos de 5,2% no SIN, de 5,4% no Subsistema SE/CO, 5,0% no Sul, 5,7% no Nordeste e 2,7% no Norte. A taxa de crescimento do PIB para o período, considerada nos estudos que subsidiaram as projeções do ONS/EPE, foi de 4,0% ao ano.
